
A designação é um termo guarda-chuva que se refere a uma pluralidade de produções de cunho político criados por meio de diferentes técnicas de sample e remix. Essas produções podem se dividir em Political Remix Video (PRV), Youtube Poop, mashups políticos, entre outros. Todos elas buscam, por meio da seleção e organização de samples, enunciar e reenquadrar determinado discurso político e ou fala de a uma figura política. Esse discurso pode ser tanto positivo quanto negativo em relação à figura com a qual se liga. Apresenta diferentes objetivos e se ligam a diferentes valores, éticas/ethos, podem ser configurados como propaganda, sátira, paródia etc.; buscando, na maioria dos casos, convencer o espectador sobre o ponto de vista tomado na produção. Em obras de remix político fica evidente também adesão e reacentução do discurso do outro, pois, para fazer uma obra que sirva como propaganda, o produtor desse remix deve aderir e revozear o discurso proferido por aquele que está na obra fonte.
Esse vídeo pode ser trabalhado para o desenvolvimento de habilidades de análise de produções multisemióticas, pois, para compreender o efeito de sentido pretendido, é preciso perceber as funções dos samples selecionados, do ritmo da música e do efeito de auto-tune. Além disso, assim como outras produções de Political Remix, esse vídeo ajuda a compreender o contexto político no qual foi produzido, pois evoca um ponto de vista específico em relação à candidata. Para ver o contexto da época, vale a pena visitar notícias sobre os ocorridos que envolveram Weslian Roriz, como nos links abaixo.
Esse vídeo é composto por samples de diversas fontes, mas predominam amostras de discursos do ex-presidente estadunidense George W. Bush. Por meio dos samples desses discursos, os quais têm seus respectivos áudios preservados, tem-se a impressão de que Bush está cantando a canção “Imagine” da banda The Beatles. Para causar essa impressão, foram selecionados samples nos quais ele fala as palavras que compõem a letra da canção ou pelo menos emite algum som semelhante a elas. Além disso, o arranjo da canção original foi adicionado, com a voz de Bush acompanhando o ritmo e tempo da música. Assim, o vídeo satiriza o discurso de paz defendido pelo ex-presidente enquanto aplica uma política de guerra a determinados países. Essa sátira é construída também por samples de imagem estática e em movimento que remetem a ataques estadunidenses a esses países, ilustrando os feitos de Bush.
Assim como outros vídeos de Political Remix, esse PRV pode ser trabalhado em sala de aula para compreender o contexto político e social no qual foi produzido, servindo como ferramenta para ilustrar as relações estabelecidas pelos Estados Unidos com outros países. Além disso, também é possível desenvolver habilidades de análise, pois é preciso compreender a função de cada sample na construção do efeito de sentido pretendido.
Os autores do vídeo usaram imagens do trailer do filme “Vingadores – Guerra Infinita”, junto com imagens de reportagens sobre a greve dos caminhoneiros que ocorreu no primeiro semestre de 2018 e de protestos a favor da greve, além de imagens do ex-presidente Michel Temer discursando. O áudio utilizado foi predominantemente do trailer do filme “Vingadores”, mas há um trecho de um áudio com os dizeres “vem pra rua”, que pode ser associado tanto a essa manifestação da categoria dos caminhoneiros, quanto a outras manifestações, pois esse é um mote que foi usado em muitos protestos nos últimos anos. Além das amostras de imagem em movimento e de áudio, outro recurso usado no vídeo foi a legenda, a qual não traduz o que é dito pelos personagens, mas sim constrói o discurso que os autores do vídeo pretendem enunciar para seus espectadores. Mas, por mais que a legenda não traduza o que é dito nos áudios, ela é coloca em sincronia com esses, de maneira a parecer que ela está fazendo uma tradução correta. Dessa forma, por meio das técnicas e amostras utilizadas, o vídeo consegue fazer uma crítica ao governo do ex-presidente, ao mesmo tempo em que demonstra um apoio ao movimento dos caminhoneiros e às reivindicações feitas por eles. Na sala de aula, o contexto político do qual o vídeo faz parte pode ser um bom objeto de trabalho. Esse PRV possibilita refletir tanto sobre a greve dos caminhoneiros quanto sobre o governo exercido por Michel Temer. Além disso, pode-se estabelecer uma relação entre o contexto político do filme da Marvel, já que a obra trata de situações da vida real de maneira metafórica, dividindo suas personagens entre o bem e o mal. Uma análise técnica dessa produção
Por meio de uma paródia da canção “Do you wanna build a snowman?” do filme de animação Frozen, esse PRV satiriza a proposta do, à época, candidato à presidência dos Estados Unidos, Donald Trumpo, de construir um muro separando o país do México. Para isso, são selecionados samples de discursos de Trump nos quais ele fala palavras ou emite sonos parecidos com palavras que vão compor a letra parodiada da canção. Além disso, tais samples são sequenciados em uma ordem e tempo que permite criar uma sincronia com o ritmo da canção original, causando o efeito de que o ex-presidente dos EUA estaria realmente cantando a canção. Essa musicalização dos discursos se junta com a letra construída para criar o efeito de humor, pois na versão da paródia Trump questiona se seu interlocutor quer construir uma parede, fazendo alusão à proposta de governo e mantendo uma referência explícita à canção original por meio da expressão “do you wanna build”.
Esse PRV pode ser uma ótima ferramenta para trabalhar o conceito de paródia em sala de aula, apresentando-o e ilustrando uma das funções da paródia: satirizar. Também é possível explorar a técnica de sincronizar a imagem em movimento, o áudio de Trump falando e o áudio do ritmo da canção, pois a harmonia entre os três é de suma importância para criar o efeito de humor do vídeo. Por fim, mas não menos importante, essa produção serve como ponto de partida para uma discussão sobre o contexto político do vídeo e sobre a própria ideia de se construir um muro para separar nações.
Auto-tune. O auto-tune é um software de edição de áudio que permite corrigir imperfeições em gravações, sendo muito usado no mundo da música para deixar as vozes dos cantores mais limpas. Porém, ele passou a ser usado também para dar ritmo a gravações que originalmente são faladas e não cantadas, dando também um efeito de voz sintética a elas. Fonte: https://super.abril.com.br/tecnologia/o-que-e-auto-tune/



